Decidi ser ACS porque gosto de lidar com pessoas. Porém, pelo resultado do concurso (em que fiquei em 1º lugar no município) e pela minha atuação ao longo de todo esse tempo, é certo dizer que minha vocação, minhas habilidades e meu vínculo com a comunidade vão muito além disso. Violência sexual e doméstica, tráfico e dependência de drogas, além de gravidez precoce, estão entre os problemas da comunidade e, recentemente, optei por trabalhar em uma parte do bairro em que essas questões são ainda mais intensas.
E como eu lido com tudo isso? Problemas como esses da comunidade fizeram parte da minha história pessoal, e acredito que, por esse motivo, consigo entender e lidar melhor com quem está vivenciando pelo que já passei. Sei, por exemplo, que para uma menina que sofre violência sexual pode ser mais fácil se abrir comigo do que com alguém da família. Em minha trajetória de superação, a maternidade, que chegou quando eu tinha apenas 15 anos, é a minha fonte de inspiração. Com 37 anos, sou mãe da Maria Eduarda, de 8 anos, e da Erica, de 22.
Encontrei outra fonte de força na minha formação de terapeuta holística. Entre outras atividades, faço parte do Grupo da Amizade, com as ACS Mara Rubia e Crislaine, a enfermeira Eveline e o médico Rafael. Juntos, atuamos com saúde mental na comunidade. Gosto de todas as atividades, mas o Grupo da Amizade é especial. Sem uma boa equipe de estratégia, não se faz um bom ACS. Fazemos rodas de conversa e tudo que é falado fica no grupo. Por meio de ferramentas terapêuticas, nós resgatamos a alegria, a autoestima e a confiança das pessoas.